quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Havia duas horas que o jovem fitava a lua, enquanto brincava com a aba do chapéu. Sabia no que havia se metido, sabia que em poucas horas teria sua cabeça decepada por causa do seu triste fardo. Enfiou a mão direita num dos bolsos, procurando algo que pudesse distraí-lo. Vazio. Se sentia como um prisioneiro esperando sentado ligarem sua infeliz cadeira elétrica.

A lua caminhava sem piedade pelos céus e o relógio parecia decidido a fazer seus ponteiros marcharem até se encontrarem às zero horas. Faltavam 4 minutos.

Nunca temeu tanto o escuro como naquele dia. Choraria, se não soubesse que não ia adiantar de nada. A lua parecia graciosa... Luca sempre admirou-a. Sabia que se a mesma soubesse de sua condição de licantropo, deixaria de torturá-lo toda noite. Não havia jeito, ou fugiria dali ou encararia a morte pelas mãos de homens incultos. Encarou a mão direita, pálida e fraca, antes de enfiar o dedo indicador por sua garganta. Vomitou, próximo às grades. O guarda que o encarcerara estava ali por perto, vindo imediatamente.

- Hey... garoto... ‘cê tá bem?

- Acho que... tem algo na minha garganta... um copo d’água, peço pela minha vida...

Pronto, era daquilo que precisava. Ao voltar com o copo velho, com um pouco de água, se aproximou do guarda e mordeu sua jugular, não muito forte, não desejava o mal daquele homem. Só queria escapar. O guarda se ajoelhou choramingando enquanto Lucas corria. Teve tempo de alcançar as calçadas e sorrir o sorriso de um homem livre, até ter suas costas rasgadas por um tiro de escopeta, vindo de um guarda que ia encerrando seu turno. Encerrou também a vida de um monstro.

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